A dor invisível de quem carrega um luto não elaborado
- Patricia Figueira
- 18 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Nem toda perda vem com despedidas. E nem toda despedida vem com tempo ou espaço para viver o luto. Muitas vezes, seguimos a vida como se nada tivesse acontecido — mas algo em nós parou ali, naquele exato momento da perda.
O luto não é apenas sobre a morte de alguém. Também pode ser sobre o fim de um relacionamento, a perda de um sonho, a saída de um filho de casa, a mudança de cidade, ou até mesmo o envelhecimento. Perder dói — mesmo quando essa dor é silenciosa.
Quando o luto não é vivido, ele se transforma
Na Psicanálise, entendemos que o luto é um processo necessário para elaborar aquilo que foi perdido. Quando esse processo é impedido ou negado, ele se transforma: em tristeza constante, em apatia, em insônia, em sintomas físicos ou até mesmo em crises de ansiedade.
É como se o inconsciente dissesse: “algo ficou para trás e ainda precisa ser cuidado”.
Por que é tão difícil elaborar um luto?
Porque muitas vezes somos pressionados a “superar”, a “seguir em frente” rapidamente. O mundo exige produtividade, enquanto a dor pede pausa. Há também lutos que são desautorizados — como a perda de um bebê antes mesmo do nascimento, ou o luto pelo fim de um vínculo que a sociedade não reconhece como legítimo.
Mas toda dor tem o direito de existir.
A análise como espaço de elaboração
Na escuta analítica, há espaço para tudo aquilo que o mundo cala. O processo de análise permite que o sujeito nomeie sua perda, olhe para ela com cuidado e encontre um novo lugar interno para seguir adiante — não esquecendo, mas ressignificando.
Se você sente que algo ainda pesa em você, talvez seja o luto que não teve chance de ser vivido. Você não precisa carregar isso sozinho(a). Vamos conversar?





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